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Também chamada de cobalamina, a vitamina B12 é essencial para o funcionamento normal de todas as células, especialmente as células do estômago e do intestino, a medula óssea e o tecido nervoso, além de participar do metabolismo das gorduras.

Sua absorção depende de alguns fatores: no estômago é necessário ter pH ácido; a presença da pepsina, que é uma enzima digestiva; presença de fator intrínseco, que é uma glicoproteína produzida pelo estômago, sendo essa necessária para sua absorção no intestino delgado; enzimas pancreáticas (liberadas no pâncreas) e secreções biliares (liberadas no fígado). O local de absorção é no intestino delgado.

Encontramos a vitamina B12 exclusivamente nos produtos de origem animal, por exemplo:

– em 100g de bife de fígado cozido encontra-se 112mcg;
– em 100g de mariscos no vapor encontra-se 99mcg;
– em 100g de salmão cozido encontra-se 2,8mcg;
– em 100g de carne bovina cozida encontra-se 2,5mcg;
– em 245ml de leite desnatado encontra-se 0,93mcg;
– em 50g de ovo cozido, encontra-se 0,49mcg;
– em 100g de frango cozido (carne escura) encontra-se 0,32mcg.

Cada indivíduo possui uma reserva no organismo que pode variar de 5 a 10 anos, após esse período, ocorre o início da deficiência e o aparecimento dos sintomas.

Sua deficiência leva a duas grandes complicações: anemia megaloblástica e neuropatia (apresentando os sintomas: fraqueza, dormência e dor devido a danos nos nervos, normalmente nas mãos e nos pés).

Outro fato relacionado à deficiência é o aumento dos níveis de homocisteína no sangue, o que pode contribuir para o desenvolvimento de doenças ateromatosas (placas de gorduras  formadas na artéria aorta – principal vaso sanguíneo do corpo – essas placas impedem a boa circulação do sangue e podem ser responsáveis pelo infarto e AVC), por outro lado, o aumento dessa vitamina muito acima dos valores referenciais no sangue é um marcador precoce de doença hepática ou tumoral, sendo valores ideais no sangue entre 500pg/ml à 970pg/ml.

A carência geralmente é resultado de uma dieta deficiente a longo prazo.

A gastrite é relativamente comum com o avanço da idade, além disso, idosos rotineiramente fazem uso de medicamentos, como inibidores de bomba de prótons, no qual deixa esse estômago com pouca secreção ácida aumentando assim seu pH estomacal, contribuindo ainda mais para a queda dessa vitamina.

A insuficiência pancreática pode, portanto, ser um fator para o desenvolvimento da deficiência em vitamina, já que depende de enzimas para sua síntese.

Pacientes com HIV positivo desenvolvem a deficiência, que pode ser decorrente de alterações no organismo que prejudiquem a absorção da vitamina B12.

Vegetarianos e B12

O único grupo da população realmente em risco de deficiência alimentar é o dos vegetarianos estritos, aqueles que nunca consomem carnes vermelha, carne branca, peixe ou frutos do mar, pois não há fontes vegetais da vitamina B12. No entanto, a raridade da deficiência em B12 entre indivíduos que não tem na alimentação fontes aparentes dessa vitamina sugere que quantidades significativas poderiam ser obtidas da microbiota intestinal. A vitamina poderia ser absorvida por difusão passiva no intestino grosso.

Atualmente, outro grupo que vem demonstrando deficiência são os indivíduos que se submeteram a cirurgia bariátrica, no qual existe uma redução de estômago e/ou intestino associados ou não, esses pacientes são exclusivamente suplementados, via oral ou sublingual diariamente; nasal semanalmente; intramuscular mensalmente ou semestralmente, conforme condição clínica.

A absorção é lenta, o pico de concentração no sangue não é alcançado antes de 6 a 8 horas após dose via oral. Conforme artigo publicado recentemente (Bensky et al. Compararison of sublingual vs. Intramuscular administration of vitamin B12 for the treatrament of patients with vitamina B12 deficiency, Drug Delivery and Translation Reseach. Jan, 10, 2019), a terapia sublingual é uma via suficiente e até mesmo superior à intramuscular na correção de deficiência de B12 e deveria ser a primeira opção para os pacientes.

Consulte seu médico para o correto diagnóstico e procure um nutricionista para auxiliá-lo no melhor plano alimentar adequado ao seu perfil de saúde.

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Referências:
Cozzolino, Silva M. Franciscato. Biodisponibilidade de nutrientes. São Paulo. 5ª edição. 2016.
Paschoal, Valéria. Nutrição Clínica Funcional: Suplementação nutricional. São Paulo: Editora Ltda, 2012.

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