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A ONG Greenpeace defende a saída imediata de Ricardo Salles do Ministério do Meio Ambiente após a divulgação do vídeo da reunião ministerial divulgada pelo STF nesta sexta-feira (22). No vídeo, Salles afirma que é preciso aproveitar que a mídia está focada na cobertura da pandemia do coronavírus para “passar a boiada” e desregulamentar leis de proteção ambiental.

Para a ONG, “a fala de Ricardo Salles evidencia os perigos que a sociedade vem denunciando desde o primeiro dia de mandato do governo Bolsonaro e cujos resultados já são comprovados no chão da floresta”.

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De acordo com o Instituto Brasileiro de Pesquisas Espaciais (INPE), mais de 1.202 quilômetros quadrados de floresta foram destruídos entre janeiro e abril deste ano, o que configura em um aumento de 55% no desmatamento com relação ao mesmo período em 2019. Segundo o Greenpeace, “ao invés de proteger a floresta e seus povos, o ministro sugere usar as mortes provocadas pela pandemia para encobrir o projeto de destruição do governo e avançar com as medidas anti-ambientais, sem diálogo com a sociedade. Salles defendeu de maneira firme o uso do momento crítico que vivemos para beneficiar seus interesses sombrios.”

Na reunião ministerial, Salles diz que “nós temos a possibilidade neste momento, que a atenção da imprensa está voltada quase que exclusivamente para covid-19… A oportunidade que nós temos, que a imprensa está nos dando um pouco de alívio nos outros temas, é passar as reformas infralegais de desregulamentação, simplificação, todas as reformas que o mundo inteiro cobrou.” E completa: “Então para isso precisa ter um esforço nosso aqui enquanto estamos nesse momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa, porque só fala de Covid-19, e ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas. De Iphan, de Ministério da Agricultura, de Ministério do Meio Ambiente, de ministério disso, de ministério daquilo. Agora é hora de unir esforços […]. É de regulatório que nós precisamos, em todos os aspectos.”

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Confira a nota do Greenpeace na íntegra:

É estarrecedor o posicionamento desumano e vergonhoso do Ministro de Meio Ambiente, Ricardo Salles, divulgado na última sexta-feira (22). Em vídeo da reunião interministerial, que aconteceu no dia 22 de abril, quando o governo deveria estar assegurando e planejando medidas de combate à maior crise de saúde pública já enfrentada pelo Brasil, o Ministro defendeu abertamente, sem nenhum pudor e com profundo desrespeito a milhares de famílias em luto, usar o momento da pandemia como uma oportunidade ideal para “passar a boiada” da destruição ambiental, já que concentra a atenção da mídia e sem grande barulho por parte da sociedade.

A fala de Ricardo Salles evidencia os perigos que a sociedade vem denunciando desde o primeiro dia de mandato do governo Bolsonaro e cujos resultados já são comprovados no chão da floresta. O desmatamento da Amazônia aumentou 30% em 2019 e, nos primeiros meses de 2020, os alertas já apontam crescimento de 62%. Mas ao invés de proteger a floresta e seus povos, o Ministro sugere usar as mortes provocadas pela pandemia para encobrir o projeto de destruição do governo e avançar com as medidas anti-ambientais, sem diálogo com a sociedade. Salles defendeu de maneira firme o uso do momento crítico que vivemos para beneficiar seus interesses sombrios.

Um Ministro de Meio Ambiente, condenado por improbidade administrativa, que usa o sofrimento e a morte das vítimas da pandemia para avançar de forma violenta com uma política de destruição e de forma deliberada, dolosa e declarada, e atenta contra a própria pasta não tem moral para ocupar o mais alto cargo ambiental do país que abriga enorme porção da maior floresta tropical do mundo.

Com a comprovação do desvio de finalidade à sua função, esperamos que o Ministério Público federal, o STF e o Congresso tomem medidas imediatas para que Ricardo Salles seja retirado do cargo imediatamente.

O Greenpeace se solidariza com os familiares e amigos dos mais de 20 mil brasileiros mortos pela Covid-19, com as centenas de milhares de pessoas contaminadas e com todos que enfrentam sérias dificuldades em decorrência da pandemia.

A política anti-ambiental do governo Bolsonaro, que tem resultado no aumento expressivo do desmatamento da Amazônia, da violência no campo e da ameaça aos povos indígenas deve ser interrompida imediatamente. Sua política nefasta gera prejuízos incalculáveis à população, às florestas, à economia brasileira e ao clima global. O Brasil merece mais.

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