Ricardo Salles (Reprodução/Twitter)

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O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, é alvo de busca e apreensão da Polícia Federal (PF), na manhã desta quarta-feira (19). Entre as suspeitas sobre o ministro há a prática de corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e, especialmente, facilitação de contrabando.

A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, encaminhou em abril à Procuradoria-Geral da República duas notícias-crime contra o ministro do Meio Ambiente acusado de atrapalhar investigações sobre a apreensão de madeira ilegal do Brasil.

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As duas notícias-crime envolvem a suspeita de que Salles agiu para dificultar a investigação da Polícia Federal sobre a maior apreensão de madeira ilegal da história, totalizando mais de 200 mil metros cúbicos, assim como defender o interesse de madeireiros.

No despacho, a ministra aponta que os fatos contra o ministro são de “gravidade incontestável” e envolvem “tema de significação maior para a vida saudável do planeta, como é a questão ambiental”.

Apoio de colegas da PF

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Um dos pedidos de investigação foi apresentado pelo delegado da Polícia Federal Alexandre Saraiva, destituído da PF do Amazonas por Paulo Maiurino, diretor-geral da Polícia Federal (PF), após apresentar notícia-crime no STF contra o ministro.

Alexandre Saraiva recebeu apoio de seus colegas por sua ‘dedicação e excelência’ à frente da unidade. “Demonstrou coragem, atitude e profissionalismo, desde os trabalhos mais simples às mais complexas operações, sendo reconhecido por seu brilhante trabalho em defesa da Amazônia e da Polícia Federal, colocando esta Superintendência em destaque nacional e internacional”, registrou a homenagem.

Saraiva foi às redes comemorar a ação da PF contra Salles. De maneira irônica, ele citou um Salmo ao compartilhar uma notícia sobre a operação. “Salmo 96:12: “Regozijem-se os campos e tudo o que neles há! Cantem de alegria todas as árvores da floresta”.

CPI

Deputados de partidos da oposição, por sua vez, apresentaram na Câmara, no final de abril, pedido de abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Meio Ambiente, para investigar denúncias de omissões e crimes cometidos pelo ministro. O documento é assinado por deputados do PT, PSB, PDT, PSOL, PCdoB, Rede e PV.

A CPI teria cinco frentes de investigação: a denúncia de que Salles atuou em favor de madeireiras ilegais; o desmonte da fiscalização e omissão diante do desmatamento na Amazônia; conluio com garimpeiros ilegais que teria levado à suspensão da fiscalização; o uso de voo da Força Área Brasileira (FAB) para levar garimpeiros ilegais do Pará para reunião com o ministro em Brasília; e a omissão diante dos incêndios no Pantanal e do “dia do fogo”.

Fala interrompida

A deputada federal Vivi Reis (PSOL-PA) teve a fala interrompida por parlamentares bolsonaristas, no início de maio, durante audiência realizada pela Comissão de Meio Ambiente da Câmara, que contou com a presença do ministro Ricardo Salles, enquanto denunciava crimes ambientais do ministro no Pará.

“Boa tarde a todos e todas, eu sou a Vivi Reis, deputada federal do PSOL no Pará, estado esse que o ministro frequentemente visita, para fazer negociações com os madeireiros, com garimpeiros, com grandes empresários. Em abril deste ano, a Polícia Federal apreendeu 200 mil metros cúbicos de madeira”, falava a parlamentar, quando foi interrompida.

A deputada do PSOL disse que nem havia começado a falar, mas logo foi interrompida por Salles. “A senhora fez insinuações à minha pessoa que não são verdadeiras”, disse. A deputada questionou a relação do ministro com madeireiros e finalizou: “A boiada não vai passar, ministro”.

Garimpo em reserva

O ministro ainda se reuniu na semana passada com representantes de garimpeiros da região oeste do Pará. No encontro, articulado pelo deputado federal Joaquim Passarinho (PSD-PA), o ministro recebeu um ofício pedindo a legalização do garimpo em quatro unidades de conservação ambiental, no entorno do Rio Tapajós. São as Flonas (Florestas Nacionais) do Amana, do Crepori e do Jamanxim, além da APA (Área de Proteção Ambiental) do Tapajós. Juntas, as áreas têm 47.652 km², área equivalente à do estado do Espírito Santo.

A operação

Sob o nome de Operação Akuanduba, cerca de 160 policiais federais cumprem 35 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e nos estados de São Paulo e Pará. As medidas foram determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O STF também determinou o afastamento preventivo de dez agentes públicos ocupantes de cargos e funções de confiança no Ibama e no Ministério do Meio Ambiente.

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Redação
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