É caro ser vegano? Influenciadores mostram que ser vegano não é “coisa de gente rica”

Foto: @veganoperiferico/Instagram

Um dos principais boatos sobre o veganismo é que seguir esse movimento é caro e elitista. Normalmente, fala-se muito que produtos veganos são mais caros do que os de origem animal e, por isso, seguir essa dieta exigiria gastos muito altos. De fato, alguns produtos têm preços mais elevados, mas é possível ser vegano sem gastar muito dinheiro, e a internet é um ótimo aliado para demonstrar e incentivar isso.

Muitos produtos veganos industrializados, especialmente os de grandes empresas que buscam “imitar” algo de origem animal, custam mais caro, principalmente quando há muito marketing envolvido. E ainda a demanda por estes produtos é menor do que os de origem animal. 

Entretanto, há muito conteúdo na internet que comprova a possibilidade de seguir o veganismo gastando pouco. Diversos youtubers, blogueiros e influenciadores buscam mostrar, em suas páginas, um estilo de vida vegano e barato, trazendo uma visão mais realista e prática do veganismo.

Os gêmeos Leonardo e Eduardo Santos criaram a página “Vegano Periférico”, que já tem 253 mil seguidores no Instagram e mais de 17 mil curtidas no Facebook. Nela, eles mostram que é possível se alimentar bem gastando pouco, sem consumir nada de origem animal. “Chegamos a conclusão de que não precisamos participar desse veganismo elitizado, que dá pra economizar muita grana, que não há necessidade de consumir certas coisas pra ser vegano, ou ter um tênis da marca ‘x’, e que o veganismo vai muito além do que só uma opção de consumo… e assim fomos praticando aquilo que estava dentro da nossa realidade, fazendo o mais simples possível.”

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Quando viramos veganos surgiu um certo receio em relação ao consumo, de quanto iríamos gastar, será que teríamos que consumir leite vegetal de caixinha, e os queijos caríssimos, "não temos grana pra comprar castanhas e nozes", questionamentos frequentes, "será que estamos fazendo a coisa certa?", não tínhamos quase nenhuma referência, "será que ser pobre e vegano é viável?", "será que isso é pra gente?". Mas mesmo assim seguimos, mesmo meio perdidos. Chegou um momento em que olhamos pra perfis nas redes sociais totalmente fora da nossa realidade, íamos às feiras veganas e ficávamos perdidos, deslocados, totalmente incomodados, não com as pessoas, mas porque não era a nossa, tamo acostumado com um outro mundo. E assim continuamos, tentando nos achar pra não abandonar algo que pra gente faz muito sentido. Aí começamos a trocar ideia sobre como o movimento é entendido pela classe trabalhadora, e o quanto esse movimento era elitizado e consumista, que pra gente não fazia o menor sentido, além de ser inviável, tava totalmente desalinhado com a realidade da população. Aí chegamos a conclusão de que não precisamos participar desse veganismo elitizado, que dá pra economizar muita grana, que não há necessidade de consumir certas coisas pra ser vegano, ou ter um tênis da marca 'x', e que o veganismo vai muito além do que só uma opção de consumo… e assim fomos praticando aquilo que estava dentro da nossa realidade, fazendo o mais simples possível. Com isso aprendemos muito, a nossa visão sobre o movimento mudou completamente. Aprendemos que a coisa mais importante é o acesso à informação, conhecimento, isso é tudo. Percebemos que não precisamos substituir leite, queijo, que é só tirar da frente e comer outras coisas, tem tanta opção. Achamos produtos acessíveis não testados em animais nos mercadinhos aqui da quebrada, e assim fomos seguindo… com os pés no chão. E hoje entendemos que a forma que muitos propagam o veganismo é só o reflexo do mundo em que eles vivem, simples assim. Não fazem por maldade, apenas vivem numa bolha privilegiada e não conhecem a realidade da maioria, mas isso com o tempo vai mudando.

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Outro exemplo é a página do Instagram “Vegano de Quebrada”, produzida pelo assistente de restaurante Igor Oliveira. Em uma das postagens da página, ele afirma que “o veganismo é extremamente acessível, na sua essência é claro”. No entanto, quando a opção é por novos produtos o custo é mais alto “As pessoas que encarrassem alguns produtos e alimentos não fazem isso por maldade, fazem isso inconscientemente, condicionadas pelo seu padrão social e mercado”, diz.

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O veganismo é extremamente acessível, na sua essência é claro. As pessoas que encarrassem alguns produtos e alimentos não fazem isso por maldade, fazem isso inconscientemente, condicionadas pelo seu padrão social e mercado. Eu moro numa periferia de Campinas-Sp, estou desempregado faz quase 3 anos, sobrevivo de alguns freelas que faço regularmente e tenho o apoio do meu padrasto que consegue alguns legumes de vez em quando. Olho pra minha situação que, apesar das dificuldades, sou muito privilegiado, tenho amigos que me ajudam também, tenho muita sorte de ter esse apoio agora. Eu como praticamente a mesma coisa desde que me tornei vegano, não vejo problema nenhum nisso, o que me conforta é saber que não precisei arrancar nenhum pedaço de animal pra saciar minha fome. Podemos sim sobreviver sem animais mortos no prato, claro que podemos, se tivermos convicção de nossa capacidade e ter determinação de mudar, por alguém que não pediu pra sofrer, podemos qualquer coisa. A empatia é o nosso melhor super poder. Rango de hoje: arroz, feijão, abobrinha e cenoura a frita hahah.

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No canal “Vegana Bacana”, a youtuber Tayná Mota dá dicas de receitas e estratégias. Em 2018, ela fez um vídeo em que mostra as refeições de uma semana inteira, gastando menos de 50 reais. 

O youtuber Fabio Chaves também gravou um vídeo onde ele aponta nove alimentos veganos, que não são caros. O pão francês, já que a maioria das padarias não utilizam matérias-primas de origem animal, e outros pães de forma, por exemplo, são veganos. As massas geralmente também não utilizam ovos e há uma grande variedade de marcas. Ele fala também sobre opções de sabonetes, pasta de dentes e outros produtos.