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O presidente Jair Bolsonaro afirmou em seu discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira (22), que as florestas brasileiras são “úmidas” e que, por conta disso, não permitem a propagação de queimadas. O ex-capitão também voltou a culpar indígenas pelo fogo na Amazônia e Pantanal.

“Nossa floresta é úmida e não permite a propagação do fogo em seu interior. Os incêndios acontecem praticamente, nos mesmos lugares, no entorno leste da Floresta, onde o caboclo e o índio queimam seus roçados em busca de sua sobrevivência, em áreas já desmatadas”, disse.

O presidente também afirmou que o Brasil é vítima de uma “brutal campanha de desinformação” em relação aos incêndios e que o objetivo central é atacar seu governo.

“Nosso agronegócio continua pujante e, acima de tudo, possuindo e respeitando a melhor legislação ambiental do planeta. Mesmo assim, somos vítimas de uma das mais brutais campanhas de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal. A Amazônia brasileira é sabidamente riquíssima. Isso explica o apoio de instituições internacionais a essa campanha escorada em interesses escusos que se unem a associações brasileiras, aproveitadoras e impatrióticas, com o objetivo de prejudicar o governo e o próprio Brasil”, disse o presidente em seu discurso.

O fogo já atingiu mais de 2,9 milhões de hectares do Pantanal, segundo o Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo). O número representa cerca de 19% do bioma no Brasil, conforme o Instituto SOS Pantanal. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), já foram registrados 15,4 mil focos de calor no bioma.

Ausência de Estado

Deputados e senadores que integram a Comissão Externa do Congresso Nacional voltada para o enfrentamento dos incêndios no Pantanal visitaram as localidades atingidas pelas queimadas nos dias 19 e 20 de setembro. Após a viagem, parlamentares denunciaram a omissão do Estado no combate ao fogo – de acordo com eles, apenas 172 pessoas de todas as instituições oficiais operam na região.

O número engloba agentes federais, estaduais e municipais, além de integrantes de entidades de proteção à natureza. Ou seja, brigadistas, bombeiros, militares do Exército e da Marinha, entre outros. De acordo com o jornal Estado de S.Paulo, bombeiros chegam a pedir ajuda para comprar combustível.

Em fala à TV Câmara após as visitas, a deputada Rosa Neide confirmou o baixo número de agentes atuando na região. “O que mais nos surpreende é que, se não vier efetivamente chuva, o número de pessoas pelos governos à frente do combate não dão conta, são 172 pessoas em uma área muito grande. É impossível apagar o fogo com esse número de pessoas”, disse.