Doente cardíaco tem recuperação surpreendente após dieta sem carne

(Foto: Getty Images)

A Associação Brasileira de Médicos Vegetarianos publicou, na quarta-feira (9), um post no seu Instagram relatando um caso surpreendente de recuperação de uma paciente após adoção de uma dieta sem alimentos de origem animal. De acordo com o texto, assinado pelo médico Charles Genehr, a paciente de 54 anos, diagnosticada com insuficiência cardíaca, teria repetido o exame após 6 meses com a nova dieta, recebendo resultado normalizado.

A exclusão dos alimentos de origem animal da dieta, ao longo desse tempo, influenciou na perda de 22,7 kg por parte da paciente, considerada obesa. Além disso, a medida da glicemia média foi reduzida de 185 mg/dL para 116 mg/dL, sem a utilização de medicações. No post, há o detalhamento das dietas seguidas pela paciente antes e depois do diagnóstico. Além da restrição dos alimentos de origem animal, também foi reduzido o consumo de produtos industrializados e processados.

Embora seja surpreendente, o relato não é o primeiro registro que indica uma possível relação entre dietas vegetarianas e uma melhor saúde cardiovascular. Em setembro, a revista científica British Medical Journal publicou um estudo que indicou menor ocorrência de doença coronariana em pacientes veganos ou vegetarianos. 

O estudo acompanhou 48 mil pessoas por um período de até 18 anos, e registrou, a cada mil pessoas, 10 casos a menos de doença coronariana, em relação aos pacientes que consumiam carne. Em contrapartida, foram 3 casos a mais de derrame. A doença coronariana é um problema arterial relacionado ao acúmulo de gordura nos vasos sanguíneos. Já o derrame (acidente vascular cerebral ou AVC) é caracterizado por danos na atividade cerebral causados pela interrupção do fluxo sanguíneo. Segundo especialistas, o maior número de casos entre os vegetarianos pode estar relacionado à deficiência de vitamina B12.

Os dados divulgados pelo estudo não permitem conclusões diretas de causa e consequência entre as dietas e as ocorrências de problemas cardiovasculares. Entretanto, apresentam um conjunto de dados valioso e, assim, como o caso divulgado essa semana pelos Médicos Vegetarianos, permitem investigar a possível relação entre dietas vegetarianas e uma boa saúde cardiovascular. Deixam claro, também, a necessidade de uma dieta diversificada e equilibrada para uma vida saudável.

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Apresentamos aqui um caso surpreendente de recuperação de uma pessoa com doença cardíaca. . 👩🏻 Mulher de 54 anos muito obesa, com índice de massa corporal (IMC) de 45 kg/m2 (o normal é até 25) e uma glicemia média de 185 mg/dL, consultou o médico devido a um inchaço na perna esquerda. . 🔍 Após a realização de exames específicos foi diagnosticado insuficiência cardíaca abalando bastante a paciente que decidiu trocar a sua dieta “ocidental saudável” por uma dieta integral baseada em alimentos de origem vegetal. . ❓Quais foram os resultados dessa mudança? Ela perdeu 22,7 kg em menos de seis meses, reduzindo seu IMC para 35,1 kg/m2 (ainda estava alto e na faixa da obesidade, mas havia caído dez pontos)e sua glicemia média caiu para 116 mg/dL sem o uso de medicações. Ela repetiu a ecografia do coração 6 meses após e o resultado foi considerado normal! . 🥩Dieta “ocidental saudável” que ela fazia antes de iniciar a nova dieta: frango (sem pele), peixe, peru, ovos, cortes magros de carne vermelha, pequenas quantidades de carne vermelha processada, refrigerantes diet, alimentos processados, uma a duas porções de vegetais ou frutas diariamente. . 🥗 Dieta integral baseada em vegetais que foi seguida por ela diariamente depois do diagnóstico da doença: exclusão total dos produtos de origem animal, pelo menos 3 porções de folhas verdes escuras, pelo menos 3 porções de vegetais, pelo menos 3 porções de frutas, 1 a 3 porções de feijões ou leguminosas, 1 a 3 porções de grãos integrais, 1 colher de sopa de ervas e/ou especiarias, 1 porção de nozes ou sementes cruas sem sal, 2 colheres de sopa de sementes de cânhamo e/ou sementes de chia e/ou farinha de linhaça moída e pelo menos uma xícara de chá. Além disso, ela limitava o consumo de alimentos industrializados e/ou processados. . A “nova” alimentação foi seguida sem orientações quanto à metas calóricas ou de macronutrientes. Alguns alimentos podiam ser consumidos livremente, como as folhas verdes escuras, os vegetais e as frutas. . 💪🏼 Esse relato de caso nos sugere o efeito benéfico de uma alimentação “plant-based” na recuperação de uma doença grave!!! Go Vegan 🌱 . Dr.Charles Genehr CRM RS 26509 SP 185764

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