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O médico nutrólogo Eric Slywitch concedeu entrevista à Rádio USP e defendeu que o vegetarianismo e veganismo devem ser identificados como identidades sociais. Vegano, Slywitch foi diretor do Departamento de Medicina e Nutrição da Sociedade Vegetariana Brasileira de 2004 a 2016, e hoje atua como diretor e docente do Curso de Avaliação Metabólica e Nutricional com ênfase em Interpretação de Exames Laboratoriais e conselheiro da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB).

“Essa alimentação é fácil de ser estruturada, a maior dificuldade que a gente observa hoje é no meio social, porque alguns restaurantes a gente brinca que ‘sabotam’ a comida do vegetariano”, explica Slywitch, citando o exemplo do feijão, que, em muitos lugares, é preparado com carnes. Ele comenta, então, sobre os benefícios de se preparar o próprio alimento, mesmo para quem consome carne: “Quando você tem essa possibilidade de fazer sua própria refeição, isso tende a ser bastante positivo”.

Questionado sobre a presença de agrotóxicos em alimentos vegetais, Slywitch explica que a maior parte dos agrotóxicos são lipossolúveis, ou seja, se dissolvem em gordura, e ficam concentrados em tecidos adiposos dos animais. “Quando a pessoa utiliza o animal, ela consome uma quantidade de agrotóxico concentrada”, comenta.

Slywitch ainda discorre sobre os benefícios ecológicos e sociais do veganismo. “Hoje, as áreas cultiváveis do planeta, cerca de 60% são utilizadas para pecuária”, cita. “E isso alimenta 13% da necessidade calórica da população mundial”, completa Slwytch, explicando que as estatísticas indicam que, para 2050, o consumo de carne deve dobrar, de forma que não seria possível alimentar toda a população mundial.

O nutrólogo ainda comenta que a pecuária também é a atividade mais responsável pela destruição de ecossistemas, citando o exemplo da Floresta Amazônica. “O planeta está em uma condição que a gente nunca viu”, diz.

“Várias formas de observar o mundo levam a pessoa a ser vegetariana”, comenta Slywitch sobre o caráter filosófico do vegetarianismo. “A alimentação, em última instância, é algo que você faz várias vezes por dia que vai trazer impactos sobre todos esses aspectos. Na hora que você escolhe o que vai colocar no seu prato, você tá escolhendo como você mexe com a economia, com o trato com os animais, com o meio ambiente. É uma escolha consciente que traz impacto em todas essas áreas.”