(Foto: Divulgação/@MGwin46)

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Membros do partido Republicano, apresentadores da Fox News e personalidades da extrema direita norte-americana divulgaram uma fake news nos últimos dias de que o presidente Joe Biden queria reduzir o consumo de carne vermelha no país. A desinformação levou pessoas de direita a postarem fotos com seus hambúrgueres nas redes sociais numa campanha contra o democrata.

Segundo a notícia falsa, no plano para conter as mudanças climáticas de Biden estaria prevista uma redução de 90% no consumo de carne vermelha até 2030. “Eles querem nos limitar a cerca de quatro libras [cerca de 1,8kg] por ano. Por que Joe Biden não fica fora da minha cozinha?”, chegou a escrever a deputada republicana Lauren Boebert, da Flórida, no Twitter.

Segundo checagem da CNN, a mentira começou no The Daily Mail e no dia seguinte foi parar na Fox News. O apresentador John Roberts afirmou que as pessoas teriam que “dizer adeus aos seus hambúrgueres se quiserem se inscrever na agenda climática de Biden”.

Governadores republicanos, como Greg Abbot, do Texas, e Brad Little, de Idaho, logo compartilharam a “informação”, entre várias outras personalidades trumpistas.

Mas não existe qualquer plano de Biden nesse sentido, embora fosse necessário porque a pecuária é uma das principais atividades emissoras de metano, um dos gases de efeito estufa extremamente poluente, que causam o aquecimento global. Portanto reduzir o consumo de carne bovina contribui para a causa ambiental. Não à toa, é cada vez maior o número de pessoas que se tornam vegetarianas para diminuir sua pegada de carbono e contribuir com a sustentabilidade do planeta.

Para a colunista do The Guardian Arwa Mahdawi, é mentira que isso seja o plano de Biden, mas talvez fosse o que o mundo precisasse. Ela ainda acredita que muitas das pessoas que promoveram a narrativa de Biden contra a carne sabiam muito bem que era bobagem, mas “queriam atiçar as guerras culturais”.

E não foi a primeira vez que a extrema direita dos EUA usou a questão do consumo de carne para atacar os democratas. Em 2019, o ex-conselheiro de Trump na Casa Branca, Sebastian Gorka, disse na conferência CPAC (Conservative Political Action Conference), que a deputada democrata Alexandria Ocasio-Cortez queria “tirar os seus hambúrgueres” e que “isso é o que Stalin sonhou, mas nunca alcançou”.

Para Mahdawi, “no mundo polarizado de hoje, a carne não é mais apenas um alimento: comer carne tornou-se uma forma de sinalizar que você é um Homem de Verdade (ou uma Mulher Tradicional que aprecia Homens de Verdade), que ama armas e liberdade e é cético sobre a crise climática”.

Cúpula do Clima

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A fake news veio após Biden reunir líderes mundiais na cúpula virtual sobre o clima. O presidente dos EUA anunciou a meta de redução das emissões entre 50% e 52% em 2030 em relação aos níveis de 2005. Entre as medidas propostas não há nada em relação à dieta, mas sim mudanças no setor energético, com obras de fechamento de poços de gás e petróleo e restauração de minas, e no setor automobilístico, com a construção de veículos elétricos e a infraestrutura de recarga.

E de onde a extrema direita tirou essa ideia? Existe um estudo acadêmico da Universidade de Michigan, dos pesquisadores Martin C. Heller, Gregory A. Keoleian e Diego Rose, que mostra que se os americanos fizessem um corte de 50% em seu consumo de alimentos de origem animal e um corte de 90% em seu consumo de carne em particular, haveria uma redução de 51% nas emissões de gases de efeito estufa dos EUA relacionadas à dieta entre 2016 e 2030.

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Dri Delorenzo
Jornalista, vegetariana desde criança quando descobriu que carnes, na verdade, eram animais mortos. Cresceu ouvindo as perguntas "mas o que você come" e "como você substitui". Hoje fica muito feliz com o crescimento do veganismo. É editora do Portal Veg.